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Clipping da Assessoria de Comunicação Social
Polícia Federal quer fechar Porto de Santos para as drogas
18/09/2007
Porto Gente - Radar Portuário - -

Na rota do tráfico
Texto atualizado em 18 de Setembro de 2007 - 04h43

Rosângela Ribeiro Gil
jornalista

A droga chegava entre melões, mangas e laranjas ao Porto de Santos. Mas antes já tinha ?viajado? pela Colômbia, pela Bolívia. Chegava ao Nordeste brasileiro de avião; e, lá, essa droga, principalmente cocaína, era colocada em fundos falsos de caixas de frutas. Do Porto de Santos a droga seguia para a Europa, principalmente para a Holanda. Esse esquema foi desarticulado pela Operação São Francisco, em agosto último, pela Polícia Federal de São Paulo. Nove pessoas foram presas. Já estava à frente da Superintendência da Polícia Federal de São Paulo durante essa operação, o delegado Jaber Makul Hanna Saadi, que atendeu à reportagem do PortoGente, em seu escritório oficial, na capital paulista. Jaber Saadi, que assumiu a superintendência em junho último, foi delegado da Polícia Federal em Santos.

Saadi explica como os traficantes tentam utilizar o Porto de Santos para escoar drogas vindas, principalmente, da Colômbia e da Bolívia, com destino a Europa e África. E todo tipo de embarcação, de cargas até de passageiros. O delegado classifica o trabalho da Polícia Federal, hoje no estado de São Paulo, principalmente no Porto de Santos, como bastante eficiente.

PortoGente ? Qual a rota do tráfico de drogas no Estado de São Paulo

Jaber Saadi ? Todas as janelas que estiverem abertas, os traficantes, obviamente, irão aproveitar para tentar penetrar. Agora, nós estamos tentando fechar todas as rotas. Todas as rotas existentes estão sendo policiadas. Haja vista a grande apreensão de drogas que temos feito.



PortoGente ? E como é a participação do Porto de Santos nessa rota?

Jaber Saadi ? Na verdade o Porto de Santos é um dos maiores portos da América Latina e, obviamente, os traficantes tentam passar por lá para mandar para o exterior. E nós temos intensificado o trabalho de fiscalização nos portos.



PortoGente ? Quais os vetores utilizados pelos traficantes nesse fluxo até o embarque no navio?

Jaber Saadi ? Eles (os traficantes) usam todas as maneiras possíveis. Para camuflar a droga, eles usam qualquer tipo de argumento ou material. Fundo de geladeira, fundo de fogão, no meio de pedras que são exportadas, no meio de tintas, todo esse material que está sendo exportado nós estamos investigando e fiscalizando para que possamos evitar que essa droga saia. E quando sair serão fiscalizadas nos seus destinos, porque nós estamos fazendo o acompanhamento até o destino para pegar as pontas.



PortoGente ? No caso específico do Estado de São Paulo, o senhor fala em ?janelas?, o Porto de Santos seria uma grande janela no nosso estado?

Jaber Saadi ? Vou repetir novamente, janelas são todas aquelas que estão despoliciadas. Hoje, Porto de Santos, Porto de Paranaguá, Porto do Rio de Janeiro, aquele que está despoliciado eles (os traficantes) tentam passar (a droga). Mas nesses estados nós temos policiado e fiscalizado intensamente os portos.



PortoGente ? A Polícia Federal já tem o levantamento sobre qual o tipo de carga ou de navio mais visado pelos traficantes?

Jaber Saadi ? Eles usam todos os tipos de embarcação, tanto de cargas como de passageiros. Quando nós temos aqueles transatlânticos que aportam aqui em Santos há uma tentativa de levar (a droga) em bagagem, mas isso nós já adotamos sistemas de fiscalização, eletrônicos de verificação das bagagens e temos coibido. Os navios de transporte de cargas para o exterior, eles (os traficantes) tentam realmente mandar através de mercadorias. Repito, nós estamos tentando fazer a investigação e a fiscalização de todos esses produtos.



PortoGente ? O senhor tem número de apreensões de drogas no Porto de Santos neste ano?

Jaber Saadi ? Não, infelizmente não, porque eu retornei para o estado de São Paulo há poucos meses, não completei ainda três meses aqui em São Paulo e não tenho essas estatísticas, mas eu espero fazer logo uma estatística e intensificar ainda mais a fiscalização no porto.



PortoGente ? Falamos na saída da drogas, e a situação da entrada da droga?

Jaber Saadi ? Não há entrada de droga pelo Porto de Santos. A entrada seria, se viesse, de produtos químicos para elaboração da droga e isto tem sido fiscalizado totalmente. Tudo que entra nós temos fiscalizado, importação por importação. Então não há como entrar importação de químico para a droga ser produzida.



PortoGente ? Qual a origem?

Jaber Saadi ? Se viesse viria da Europa ou dos Estados Unidos. Mas não tem vindo, não tem vindo não, o que está vindo está sendo fiscalizado e é tudo regular, não tem sido usado para o preparo de drogas, principalmente cocaína.



PortoGente ? E nas operações que vocês vêm coibindo, qual seria o destino das drogas?

Jaber Saadi ? O destino é a Europa, os Estados Unidos, principalmente Europa e África. A África, a Nigéria principalmente, recebe muita droga oriunda da Colômbia, Bolívia e que tem como rota o Brasil, passando por dentro do Brasil, quando eles podem passar. Na verdade, hoje eles (os traficantes) estão tentando ir pela Argentina, pelo Uruguai, ou então lá pelo Norte, pelas Guianas ou por outro roteiro que não tem tanta fiscalização como tem aqui no Brasil.



PortoGente ? Em junho, a Organização das Nações Unidas (ONU) divulgou relatório sobre a questão das drogas no mundo e apontou que o Brasil tinha aumentado sua participação na rota do tráfico de drogas.

Jaber Saadi ? O que ela (a ONU) apresentou foi que o Brasil está fazendo uma grande apreensão de drogas, está combatendo intensamente o tráfico de droga e, obviamente, vêm aparecendo muitas drogas, as apreensões que estamos fazendo são sucessivas e isso aumenta a estatística do roteiro da droga. Os traficantes procuram rotas mais fáceis, rotas onde possam com facilidade passar essa droga. Todas as vezes que eles tentaram passar pelo Brasil nós estamos apreendendo, e isso a estatística sobe. Eles não podem imaginar que a droga passou por aqui e não foi fiscalizada. O quantitativo é quando se apreende a droga.



PortoGente ? O senhor classifica hoje o Porto de Santos como uma ?janela? fechada para o tráfico de drogas?

Jaber Saadi ? Nunca está totalmente fechada, mas nós estamos reforçando o policiamento lá. Hoje eu tenho um novo chefe da delegacia de Polícia, Ademir Alves, que está intensificando a fiscalização lá e, espero, nós iremos conseguir fechar realmente a ?janela? do Porto de Santos.



PortoGente ? O Porto de Santos é o maior da América Latina então o fluxo do tráfico de drogas seria proporcional ao tamanho do cais santista, ou seja, também um tráfico grande?

Jaber Saadi ? Olha seria...isso tudo é suposição. Se não houvesse fiscalização, porque a fiscalização é feita pela Polícia Federal e Receita Federal, que intensificou e muito a fiscalização. E tem ajudado muito no combate a possível passagem de droga pelo Porto de Santos. Então nós temos uma tranqüilidade total, e eu tenho quase absoluta convicção de que muito pouco, se passa, passa muito pouco.



PortoGente ? Polícia Federal está bem aparelhada para enfrentar essa situação com excelência?

Jaber Saadi ? O crime sempre evolui e, obviamente, a Polícia Federal, para combater a criminalidade, precisa evoluir. E nós estamos evoluindo a cada passo, a cada dia, estamos adquirindo aparelhos e ferramentas de melhor uso para a fiscalização de todos os sistemas de fraude, inclusive no tráfico de drogas.



PortoGente ? Como é o esquema que o tráfico utiliza, por exemplo, no Porto de Santos, como apoio nesse esquema?

Jaber Saadi ? Os traficantes têm todo um esquema e, logicamente, para exportarem mercadorias eles precisam usar os despachantes. Agora nem sempre o despachante sabe que está fazendo uma exportação também de droga. Ele imagina que está fazendo uma exportação...quando eu estive no Porto de Santos fiz apreensões homéricas, grandes apreensões, nós apreendemos drogas no meio de pedras São Tomé, que se utiliza em beira de piscina, no meio de galões de tintas de 200 litros, no fundo de geladeira. O despachante aduaneiro, que faz a papelada, pode estar envolvido, mas nem sempre está envolvido.

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