Acesso Aquaviário e Hidrovias

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Os portos necessitam se adequar às dimensões das embarcações e, na medida em que o comércio marí­timo de cargas se amplia, os navios incorporam avanços em sua concepção, de forma a aumentar a capacidade de carregamento e, consequentemente, o chamado calado – a distância entre a linha d’água e o fundo do casco, possibilitando que as embarcações naveguem com mais carga.

A dragagem em um porto situado no interior de um estuário é, portanto, uma das intervenções mais estratégicas para garantir seu crescimento, permitindo que receba os navios mercantes que trafegam nas principais rotas de navegação utilizadas nas trocas comerciais por todo o mundo, viabilizando dessa forma seu desenvolvimento constante. Sem dragagem, o canal de navegação estaria condicionado a profundidades mí­nimas, definidas a partir dos trechos mais rasos, limitando a navegação a profundidades em torno de 7 metros. Tanto que as primeiras extensões de cais construí­do tinham cotas de projeto nos berços de atracação nessa faixa.

A configuração da infraestrutura aquaviária num porto como o de Santos contempla três áreas distintas: o canal de navegação, as bacias de evolução e os berços de atracação. O setor mais próximo ao cais, com 50 metros de largura a partir de sua extensão, é denominado berço de atracação, local onde os navios permanecem amarrados durante o perí­odo de operação. Ao longo do eixo central do estuário, com largura mí­nima de 220 metros, situa-se o canal de navegação, onde as profundidades são maiores para garantir a segurança durante seu tráfego de entrada ou saí­da. As bacias de evolução são locais em frente ao cais de acostagem onde, pelas suas dimensões de largura e profundidade, os navios podem executar manobras. O canal de Santos, devido suas caracterí­sticas possui bacias naturais.

Os berços de atracação podem ter profundidades um pouco menores pois, como os navios permanecem acostados nesses locais, não necessitam de muita lazeira (espaço entre o fundo do casco e o leito do estuário). Já no trecho do canal e nas bacias de evolução, as profundidades devem ser maiores, garantindo que a oscilação durante a navegação não vá ocasionar o toque do casco com o leito do canal, comprometendo a segurança no tráfego.

O Porto de Santos está situado num estuário que recebe, sistematicamente, em um de seus extremos, volume significativo de sedimentos provenientes da Serra do Mar, transportado pelo sistema hí­drico de rios e canais que nele desaguam, provocando, de forma constante, o assoreamento ao longo do canal de navegação, berços de atracação e bacias de evolução. Na entrada da barra, no extremo oposto, a ocorrência de frequentes ressacas, notadamente no inverno, acaba conduzindo ao canal um alto volume de sedimentos, reduzindo as cotas estabelecidas na porção externa do canal de navegação, fora do estuário, reduzindo a profundidade no trecho.

Após a conclusão, em 2013, das obras de aprofundamento para 15 metros e alargamento para 220 metros nos trechos mais estreitos, o complexo portuário santista oferece condições de navegação para calados máximos de 13,20 metros, podendo ter acréscimo de até 1 metro na maré alta. Tais cotas foram alcançadas a partir das obras que ampliaram e alargaram o canal de navegação em toda sua extensão.

O aprofundamento representou um ganho de até 30 por cento na capacidade instalada do Porto de Santos, a partir da operação de embarcações transportando maior volume de carga. Dados do setor de navegação apontam que para cada centí­metro de calado pode-se embarcar mais 8 contêineres e 100 toneladas em um navio graneleiro. Um metro de calado permite que cada conteineiro carregue 800 contêineres a mais. Daí­, a importância estratégica da dragagem, projetando Santos em novos patamares de desenvolvimento e fortalecendo-o, ainda mais, como o principal equipamento para a expansão do comércio exterior brasileiro.

Em quase cinco anos após o aprofundamento, a movimentação geral do porto cresceu cerca de 9 por cento. É notável que operar com calados maiores contribui para ampliar marcas, mas o ganho mais significativo está na produtividade, a razão entre o total operado e o número de navios. Nesse perí­odo, a produtividade no Porto de Santos elevou-se em quase 30 por cento.

Essa nova profundidade e a consequente ampliação do calado máximo operacional do Porto de Santos estabeleceu um ciclo de desenvolvimento ao complexo que, a partir de um diagnóstico apurado entre demandas atuais e futuras e a efetiva capacidade de atendimento, promoveu as condições para o aumento da oferta para o setor de contêineres que se encontrava praticamente saturada com os terminais existentes. A instalação dos novos terminais para movimentação dessa carga e a ampliação das capacidades de embarque para granéis de origem vegetal (safra), somados à operação com calados maiores foi vital para Santos consolidar um novo patamar de evolução a serviço do comércio exterior.

Cais

O aprofundamento do canal de navegação do Porto de Santos representou um ganho significativo na produtividade do complexo. Os resultados refletiram a ampliação do atendimento a navios transportando cada vez mais carga, demandando ações para ampliar também a capacidade de berços em receber embarcações com maior calado operacional. A construção de cais, com estrutura suficiente para atingir cotas mais profundas, e obras de reforço estrutural em trechos especí­ficos foram as iniciativas da Autoridade Portuária para garantir a elevação da capacidade de atendimento à navegação.

Atualmente, o cais com condições estruturais garantidas para sua utilização operacional exclui as instalações das docas entre os armazéns 1 e 8, construí­do no final do século XIX e destinado a projeto de revitalização.

A situação estrutural dos demais trechos de cais mais antigos demanda da Autoridade Portuária um compromisso constante para garantir a operação de embarque e descarga tanto em terra como também promover a segurança necessária à permanência do navio atracado.

Para manter as condições das instalações, a Codesp vem desenvolvendo o reforço estrutural do cais entre os armazéns 12-A e 23, numa extensão de 1,7 mil metros. A partir do novo calado máximo operacional no canal de navegação, tornou-se prioridade o estabelecimento de profundidades compatí­veis nos berços de atracação, resultando na necessidade das obras de reforço estrutural que permitam o aprofundamento nos berços de atracação.

O empreendimento traz um ganho significativo para os terminais que operam no trecho, principalmente, aqueles que operam açúcar, uma vez que a intervenção permitirá o aprofundamento nos berços para até 15 metros, ampliando a produtividade nos embarques do produto em navios capazes de carregar mais, contando com a oferta de operação com maior calado.

Os pí­eres do Terminal de Granéis Lí­quidos da Alemoa também passaram por reforma e recuperação, estabelecendo uma cota maior de profundidade e aumentando a capacidade de atendimento neste setor que opera principalmente com gasolina, amônia, álcool, óleos e compostos quí­micos. Com a ampliação da profundidade dos pí­eres para 14 metros, o terminal, que responde por quase 60 por cento das operações com lí­quido a granel no Porto de Santos, também cresceu em produtividade.

A principal obra portuária executada pelo setor público no paí­s nos últimos anos foi a construção do novo cais de Outeirinhos. Com a entrega, em 2016, de mais 260 metros de cais, o Porto de Santos passou a contar com 779 metros de um moderno cais destinado à movimentação de carga comercial, passageiros e para operação de navios da Marinha do Brasil.

O empreendimento, que se estende desde as instalações da Capitania dos Portos do Estado de São Paulo até o terminal T- Grão, redefiniu as condições de atracação nos berços contidos nesse trecho. O novo cais foi projetado garantindo a operação com profundidade de 15 metros em todos os berços.

Construí­do numa nova configuração de alinhamento, permite a atracação simultânea dos navios de cruzeiro próxima ao Terminal de Passageiros, beneficiando a logí­stica de deslocamento dos turistas na área do porto, além de, fora da temporada de cruzeiros marí­timos, agregar movimentação de carga comercial, ampliando a capacidade operacional do Porto de Santos. A instalação ofereceu ainda uma estrutura moderna para atendimento às embarcações da Marinha do Brasil.

Hidrovias do Porto de Santos

A Hidrovia do Porto de Santos é uma ação estratégica para implantação de novos acessos ao complexo portuário santista. Projeções de demanda apontam para uma movimentação de 150 milhões de toneladas até 2020. O objetivo é garantir por meio do novo modal o atendimento de forma eficiente e com qualidade na prestação de serviços, sem gerar impactos e transtornos com o aumento do fluxo de veículos.

O uso desse modal trará ganhos ao Porto de Santos, decorrentes da redução do tempo de espera para atracação de navios com uma margem significativa de diminuição de custos, principalmente, para o setor de navegação. Com essa nova realidade, Santos se destacará, ainda mais, como um dos melhores portos para se operar no mundo, alcançando um novo patamar no cenário internacional.

O regramento operacional para utilização da Hidrovia do Porto de Santos já foi aprovado para viabilizar o cadastramento dos interessados em utilizar o novo modal de transporte.

O Porto de Santos fez a sua parte com o oferecimento da infraestrutura necessária, agora cabe ao meio empresarial aderir à iniciativa que cria uma opção inédita para transporte de cargas na região do complexo portuário santista.