Energia elétrica

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O Porto de Santos é um dos únicos portos no mundo a possuir geração própria de energia elétrica por meio da Usina Hidrelétrica de Itatinga, localizada a cerca de 30 km do Porto, no municí­pio de Bertioga.

Usina Hidrelétrica de Itatinga

Uma das maiores entre as primeiras do gênero, no Brasil, a Hidrelétrica de Itatinga foi, durante muito tempo, a de maior altura de queda d’água, com sua energia destinada não só à eletrificação das instalações do porto – até então movimentadas por máquina a vapor – como também a iluminação geral do cais, armazéns e escritórios, substituindo uma pequena usina termoelétrica.

O sistema elétrico do Porto de Santos operado pela Codesp garante o fornecimento de energia para consumo próprio da empresa e suprimento aos diversos arrendatários instalados na área do porto.

O suprimento de energia é, prioritariamente, proveniente da Usina hidrelétrica de Itatinga, com capacidade de 15 MW, complementado em alta tensão pela concessionária local Companhia Piratininga de Força e Luz (CPFL), através de um circuito com capacidade 8,6 MW ligado em paralelo e de mais dois pontos de conexão com capacidades de 1,6 MW e 0,1 MW respectivamente.

A energia fornecida pela Usina de Itatinga corresponde a, aproximadamente, 80% de toda energia distribuí­da pela Codesp através de circuitos próprios.

História

A história da Usina Hidrelétrica de Itatinga começa em 1903 com a aquisição pela Companhia Docas de Santos, então concessionária dos serviços portuários da Fazenda Pelaes, no sopé da Serra do Mar, Municí­pio de Bertioga. Projetada pelo engenheiro Guilherme Benjamim Weinschenck, sua construção foi iniciada em 1904, mas logo em 1905 a obra ficou ameaçada e teve de ser interrompida por causa da alta incidência de malária entre os trabalhadores. Foi preciso buscar no Rio de Janeiro um jovem médico sanitarista, discí­pulo de Oswaldo Cruz, para analisar o que seria possí­vel fazer a fim de reverter aquela situação.

O jovem médico, Carlos Chagas, já vinha estudando a malária na cidade do Rio de Janeiro e perdeu a possibilidade de experimentar sua profilaxia nessa área delimitada. A partir de observações sistemáticas do local e do desenvolvimento de seu método, conseguiu erradicar, em menos de três meses, o mosquito transmissor da malária na área da hidrelétrica.

A inauguração da usina ocorreu em 10 de outubro de 1910.
Em 21 de fevereiro de 1911 foi concluí­da a substituição das máquinas a vapor das oficinas mecânicas, carpintaria, fundição e outros setores do Porto por motores elétricos e as instalações portuárias passaram a ser integralmente movimentadas pela energia de Itatinga.

A nova matriz energética permitiu ao Porto ampliar sua produtividade não somente por viabilizar a entrada em operação de equipamentos movidos a eletricidade mas, também, por permitir que as operações se prolongassem nos perí­odos noturnos, a partir da instalação de iluminação elétrica.

A capacidade geradora da usina, maior que a demanda das instalações do Porto, permitiu que, desde abril de 1911 as sobras fossem cedidas à concessionária dos serviços de eletricidade para atender aos municí­pios da Baixada Santista. Itatinga teve uma participação relevante no desenvolvimento sócio-econômico-cultural da região, uma vez que, até 1927 forneceu toda a eletricidade consumida pelos municí­pios de Santos, São Vicente e localidades vizinhas. Sua energia foi utilizada pela “Light” na construção da Usina Henry Borden, em Cubatão, e, em 1925, durante a grande crise de energia em São Paulo, Itatinga forneceu 5.000 kw diários à capital.

A usina

A Usina opera com abastecimento a “fio d’água”, com uma captação direta do rio Itatinga situado a 765m de altura na Serra do Mar, contando com um complexo composto por represa, câmara d’água, cinco tubulações de descida da serra, turbinas e geradores, além de 30 quilômetros de linhas de transmissão em 160 torres, duas grandes torres para transposição do canal do estuário, uma central elétrica e 60 subestações ao longo da margem de Santos.

Vila de Itatinga

Existe uma infraestrutura básica para residência de empregados da Codesp ali sediados, tais como: 61 casas (22 em alvenaria e 39 em madeira), centro de treinamento, padaria com minimercado (arrendada), posto médico, capela, clube esportivo, auditório, centro comunitário e dois abrigos de passageiros, vias de acesso e terrenos adjacentes.

Acesso

O acesso às instalações da usina ocorre a partir da travessia por barco do rio Itapanhaú, realizada em 3 minutos, marcando o iní­cio do percurso até a vila de Itatinga. A seguir, ocorre o embarque em um pitoresco bondinho onde se pode desfrutar, por mais de 7 km, a exuberante paisagem do caminho, constituí­da por córregos cristalinos, planí­cie e montanhas cobertas pelas matas de encosta, além de vegetação da restinga e manguezais. Margeando as trilhas, se pode observar o mangue e sua vegetação caracterí­stica, além de uma construção do século XVIII.

Situação Atual

Em 2016, foram concluí­das as obras de modernização da usina que proporcionam mais qualidade e confiabilidade ao sistema. A usina opera, agora, de forma automatizada, garantindo maior integridade às instalações operacionais. Com essa melhoria, foram reduzidas as perdas no sistema. Para tanto, foi implantada a informatização para controle e monitoramento das operações, além da troca de disjuntores e outras intervenções.

Concessão
Foi regularizada pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) a cessão da Usina de Itatinga e dos ativos de distribuição de energia elétrica para a Codesp, possibilitando a continuidade da prestação dos serviços.

Convênio CPFL – Nova subestação

Para ampliar a garantia de pleno abastecimento, a Codesp e a CPFL definiram a construção de uma subestação de distribuição de energia elétrica, com capacidade para atendimento às futuras necessidades do Porto.

A concessionária local já instalou cabos de transmissão de energia para o novo sistema em toda a região da margem de Santos, desde a subestação Vila Nova, próxima ao Mercado Municipal de Santos, até a subestação Estuário, na Ponta da Praia. A energia da nova subestação na área do Porto poderá ser distribuí­da pela Codesp.