Porto-cidade

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Porto-cidade

O complexo portuário santista, além de ser uma das principais atividades econômicas da região, é o grande gerador de empregos da Baixada Santista, com ênfase para os municí­pios de Santos, Guarujá, São Vicente, Praia Grande e Cubatão, contribuindo para o desenvolvimento regional. Outro grande atrativo que o Porto oferece são os cruzeiros marí­timos que geram grandes receitas para a Baixada Santista. O terminal de passageiros vem registrando movimentos anuais crescentes com a meta de continuar ampliando seus resultados. Por isso investe na sua expansão para atender à demanda nas próximas temporadas.

Devido à importância que o Porto de Santos tem para a economia da Baixada Santista, a Codesp vem enfatizando a relação Porto-Cidade no seu planejamento, que é desenvolvido com responsabilidade ambiental e tendo como foco a qualidade de vida das comunidades.

O Porto de Santos e as cidades que o abrigam passaram, juntos, por mudanças significativas no decorrer de sua história. A partir do Século XIV o porto teve que melhorar sua estrutura para viabilizar a crescente produção de café do Estado de São Paulo, condicionando a criação de novas normas, novos objetos e novas ações para o porto e a cidade de Santos. Soma-se a isso a modernização empreendida pela Companhia Docas de Santos (CDS) no final daquele século, que elevou Santos a condição de porto organizado. A partir daí­ o porto começa a delimitar seu território, impondo à cidade um novo ordenamento espacial pautado no paradigma de saneamento e higienização urbana. Com isso a cidade também se moderniza. Com a transferência do porto público para o capital privado o municí­pio de Santos sai das decisões portuárias, afetando as relações entre o porto e cidade.

Na década de 60, a disputa por espaço cresce em função, principalmente, da conteinerização e das mudanças ocorridas no transporte marí­timo, que determinou o aumento do tamanho das embarcações e a necessidade de maior calado. Limitado a um trecho de cais que se estendia do Centro da cidade até a região de Outeirinhos, o porto começa a se expandir em direção a Ponta da Praia. Com isso cresce a movimentação de cargas e o fluxo de veículos, impactando o sistema viário da região. A cidade, por outro lado, aposta na expansão da atividade turí­stica, mas vê boa parte de sua orla ocupada pela atividade portuária.

Construção do Porto resgata situação crí­tica em Santos

No ano de inauguração do primeiro trecho de cais, em 1892, Santos registrava um trágico número: 1750 mortos, vitimados pela febre amarela que já embarcava pela ferrovia rumo a várias cidades paulistas. No mesmo ano, a varí­ola fazia 750 óbitos na cidade.
Antes da construção do cais, a região do Valongo, então conhecida como Porto do Bispo, uma extensa área lodosa estendia-se bem em frente ao centro da cidade, contribuindo para tornar repugnante o aspecto naquele trecho.

Além de toda importância para o desenvolvimento econômico, viabilizando o comércio marí­timo e do marco que se tornou para a engenharia portuária, a construção do Porto representou a solução para o grande problema das epidemias que assolavam a cidade, principalmente, em função da insalubridade que a área estuarina representava até o final do século XIX, juntamente com a enorme região de várzea, superada com o projeto de canalização por Saturnino de Brito e com a ação de médicos como Vital Brasil, Emí­lio Ribas, Carlos Chagas e outros.

Na medida em que avançavam as obras de construção do Porto de Santos, melhoravam as condições sanitárias da cidade. Pouco antes, na edição de 26 de dezembro de 1909, o Times de Londres analisava o empreendimento portuário: “… A cidade de Santos, que em 1892 não passava de vestí­gio malsão dos tempos coloniais, transformou-se com as obras do cais em conhecido porto de saúde, com belas ruas e avenidas, bonitos edifí­cios e trens elétricos.”

De fato, o legado que a construção do Porto ofereceu à cidade é vasto e diverso. A empresa construiu os grupos escolares Docas de Santos e Cidade de Santos, este último entregue à administração municipal, a Bacia do Mercado e o canal que a interliga ao estuário. O próprio edifí­cio da Alfândega de Santos, instalado na Praça da República, é outro legado da administração portuária.

Nesse contexto, temos que destacar a importância do extenso sistema viário implantado desde os primeiros anos de construção do Porto de Santos que hoje se estende desde a Ponta da Praia até a Alemoa, cobrindo, praticamente, todo o perí­metro leste da cidade de Santos e à disposição do tráfego urbano que, na verdade, representa mais da metade de sua utilização.

Trata-se de uma herança atrelada ao próprio desenvolvimento de toda uma região, garantida em grande parte por realizações de engenharia e promovida por uma visão que extrapolou sua atividade fim, estendendo à cidade de Santos muito de capacidade empreendedora. Certamente, o principal aspecto na relação Porto-Cidade.